Luto: 7 dicas para amenizar esse processo
A perda de uma pessoa querida, seja amigo ou familiar, resulta em uma das reações emocionais mais dolorosas que existem: o luto. Lidar com essa sensação pode levar dias, meses e até mesmo anos, e, mesmo após muito tempo, pode deixar marcas.
Por isso, compreender esse processo é muito importante para ressignificar o sentido da vida e, ao mesmo tempo, aprender a passar por essa situação respeitando o seu próprio tempo.
A seguir, responderemos algumas dúvidas sobre esse tema, que serão esclarecidas com o auxílio de uma especialista:
- O que é luto?
- Quais são as causas do luto?
- Quais são os sintomas do luto?
- Quando buscar ajuda para o luto?
- Como lidar com o luto no dia a dia?
O que é luto?

O luto, de modo geral, está relacionado à morte de alguém próximo. A partir disso, o rompimento desse vínculo, tendo em vista que essa pessoa não fará mais parte do dia a dia, traz à tona uma série de emoções e sentimentos que variam de uma pessoa para outra, como tristeza, negação, culpa, entre outros.
Segundo a psicóloga Hellen Capel, graduada pela Unicesumar e especialista em Psicoterapia Psicanalítica Contemporânea pela EPPM, ao analisarmos pelo olhar da psicologia, o luto é visto como um processo natural de adaptação.
Vale destacar que, a partir dessa dor, alguns aspectos cognitivos (pensar/processar) e emocionais (sentir) são ativados. Contudo, ao observarmos pela perspectiva da psicanálise, por meio do médico neurologista austríaco Sigmund Freud, ela explica:
“É entendido como um trabalho psíquico de desligamento do objeto perdido, um processo de elaboração que permite ao sujeito reorganizar seu investimento libidinal e sua posição desejante.”
No entanto, embora esteja muito ligado ao sentimento de perda de alguém, é importante destacar que “perder” nem sempre está relacionado à morte. Pelo contrário, pode estar associado a alguma situação, fase ou experiência que você não viverá mais.
Quais são as causas do luto?
Como explicamos no tópico anterior, o luto não tem uma única causa e pode ser vivido e sentido pelas pessoas de formas diferentes. Entender em quais situações ele pode acontecer é o primeiro passo para aprender a lidar com esse processo.
A seguir, separamos algumas das principais causas do luto para você conhecer:
- Morte de alguém conhecido;
- Término de um relacionamento, seja amoroso ou de amizade;
- Perda de um projeto de vida;
- Diagnóstico de saúde;
- Mudanças, seja de emprego ou de cidade/país;
- Entre outros.
No entanto, Hellen comenta que, na psicanálise, a causa do luto é compreendida por outro entendimento e perspectiva. Afinal, não está necessariamente atrelada apenas à morte, mas sim à perda de algo amado, que pode ser qualquer coisa.
“O luto ocorre quando há perda de um objeto de investimento libidinal, exigindo um trabalho psíquico de desligamento e reorganização do desejo”, comenta.
E, como observado, todas essas causas estão diretamente ligadas ao apego, que nada mais é do que um vínculo emocional. Quando esse tipo de conexão é perdido, é necessário viver todas as emoções presentes e dar tempo ao tempo.
Quais são os sintomas do luto?

Assim como as causas, os sintomas do luto variam muito de uma pessoa para outra. Em um velório, por exemplo, é possível observar diferentes tipos de reações, desde a negação, quando a pessoa se recusa a acreditar que aquilo aconteceu, até a tristeza profunda, quando não consegue se conter e chora com frequência.
A verdade é que os sintomas são diversos, e conhecê-los é muito importante para que a pessoa entenda que eles precisam ser sentidos para ser possível se reerguer e passar por essa situação cada vez mais forte.
Conheça os principais a partir da visão da psicologia:
- Emocionais: ansiedade, culpa, medo e raiva;
- Físicos: cansaço recorrente, dor de cabeça, falta de apetite e insônia;
- Cognitivos: desorientação, dificuldade de raciocínio, falta de concentração e perda de memória;
- Comportamentais: ausência de autocuidado, isolamento social, falta de interesse nas atividades do dia a dia e mudanças de humor frequentes.
“Na perspectiva psicanalítica, o luto é um trabalho psíquico marcado por dor e desinvestimento temporário do mundo externo, mas com preservação da autoestima.” Aponta Hellen.
Ela também reforça que as emoções variam de acordo com o vínculo e o histórico da pessoa com a situação. “O luto envolve dor psíquica e retração emocional, decorrentes do processo de desligamento do objeto perdido e da reorganização do investimento afetivo.”
Quando buscar ajuda para o luto?
O luto é um processo natural de todo ser humano. É importante que cada pessoa, à sua maneira, passe por esse processo no seu próprio tempo.
Contudo, quando ele se torna prejudicial à qualidade de vida, afetando tarefas cotidianas, seja em casa ou no trabalho, além das relações interpessoais com amigos e familiares, e passa a impedir que a pessoa siga em frente, acende-se um sinal de alerta.
A psicóloga e psicanalista pontua que, quando o sofrimento se torna incapacitante, impedindo a pessoa de seguir em frente, é importante buscar ajuda. Além disso, o auxílio de um profissional também é recomendado quando os sintomas se tornam mais intensos e frequentes ou, em alguns casos, quando passam a se manifestar em comportamentos perigosos, como pensamentos suicidas ou atitudes autodepreciativas.
É importante reforçar que todo luto tem início, meio e fim. Isso significa que ele vai acabar, mesmo que leve mais tempo em comparação ao de outra pessoa.
Outro ponto de atenção está relacionado ao controle das próprias emoções. Quando a pessoa em luto não consegue controlá-las, esse é um sinal claro de que a ajuda de um profissional deve ser buscada. O mesmo vale para quem não consegue expressar o que está sentindo naquele momento.
Na visão psicanalítica, Hellen explica quando a abordagem de um profissional é indicada: “Quando o processo de luto se aproxima de um quadro melancólico, comprometendo a autoestima e a capacidade de reinvestimento na vida.”
Como lidar com o luto no dia a dia?

Se você chegou até aqui, é porque conhece alguém que está passando pelo luto ou até mesmo está vivenciando esse processo. Lidar com o luto envolve resiliência, pois se trata de uma fase pela qual é preciso passar e, ao mesmo tempo, se reerguer para seguir em frente.
Ah! E antes que alguém diga “vai passar”, lembre-se de que o seu tempo, ou o de quem você conhece, não é o mesmo de outra pessoa. Pensando nisso, para lidar o processo de luto com respeito a si mesmo e ao próximo, preparamos algumas dicas:
- Acolha a sua dor;
- Dê tempo ao tempo;
- Tenha momentos de autocuidado;
- Aproxime-se de pessoas queridas;
- Respeite os seus próprios sentimentos;
- Busque ajuda de um psicólogo ou psicanalista;
- Antes de tomar qualquer decisão drástica, procure sua rede de apoio.
Hellen Capel reforça que, independentemente de qual seja a causa do luto, é importante permitir-se sentir o sofrimento. Sobretudo, esteja aberto(a) para ouvir e ser acolhido(a), pois isso será fundamental para sua transformação interior e exterior.
“Na perspectiva psicanalítica, trata-se de um trabalho psíquico de elaboração da falta, no qual o sujeito, aos poucos, reinscreve a perda em sua história e reorganiza seu desejo”, finaliza.
Conhece alguém que está passando por algum tipo de luto? Compartilhe este conteúdo ou coloque em prática as dicas. Lembre-se: você também pode ser o suporte que alguém precisa em um momento difícil.