Reajuste salarial: o que é e como calcular
O reajuste salarial costuma aparecer no radar do RH uma vez por ano, mas o impacto dele vai muito além desse período. Ele é um mecanismo previsto na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que garante a atualização anual da remuneração e ajuda a proteger o poder de compra dos colaboradores frente à inflação e ao aumento do custo de vida.
Ao longo deste artigo, vamos destrinchar o que o RH precisa saber sobre reajuste salarial:
- O que é e como funciona reajuste salarial?
- Como funciona o cálculo deste reajuste?
- Qual é a diferença entre reajuste salarial, dissídio e aumento salarial?
- O que acontece se a empresa não aplicar o reajuste salarial?
- Como o RH pode se organizar para o reajuste salarial
O que é e como funciona reajuste salarial?

O reajuste salarial é um direito garantido a todos os profissionais contratados sob o regime da CLT. Ele representa a atualização anual e obrigatória do salário base, para recompor o poder de compra do colaborador frente à inflação e às oscilações da economia.
Esse processo acontece a partir de negociações entre sindicatos de trabalhadores e empresas (ou sindicatos patronais), que resultam em uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) ou em um Acordo Coletivo.
É nesse documento que ficam definidos os percentuais de reajuste, as regras e, principalmente, a chamada data-base, que é o primeiro dia do mês em que o novo salário passa a valer.
Mesmo que a negociação se estenda por meses, o reajuste deve ser aplicado de forma retroativa à data-base, garantindo que o colaborador receba as diferenças acumuladas.
Como funciona o cálculo deste reajuste?
O cálculo, por sua vez, é simples e direto: aplica-se o percentual acordado sobre o último salário bruto do profissional. Vale reforçar um ponto de atenção importante para o RH: o valor reajustado nunca pode ficar abaixo do piso salarial da categoria definido na CCT e esse piso, por lei, não pode ser inferior ao salário mínimo vigente.
Qual é a diferença entre reajuste salarial, dissídio e aumento salarial?

É essencial diferenciar conceitos que costumam gerar confusão no dia a dia corporativo.
O reajuste salarial é coletivo e obrigatório; já o aumento salarial é individual, atrelado a mérito, desempenho ou novas responsabilidades.
O dissídio, por outro lado, surge quando não há acordo entre as partes, levando a decisão para a Justiça do Trabalho.
O que acontece se a empresa não aplicar o reajuste salarial?
Deixar de aplicar o reajuste salarial é uma decisão que expõe a empresa a riscos jurídicos, fragiliza a gestão de pessoas e compromete resultados de médio e longo prazo. Como se trata de um direito garantido pela CLT e pelas CCTs, o descumprimento coloca a organização em uma posição vulnerável tanto perante a legislação quanto diante do próprio mercado.
No campo jurídico e administrativo, as consequências tendem a ser imediatas. Colaboradores podem ingressar com ações trabalhistas para exigir o pagamento dos valores devidos, incluindo diferenças salariais retroativas à data-base.
Dependendo do caso, a Justiça do Trabalho pode ainda reconhecer danos morais, sobretudo quando a ausência do reajuste compromete o sustento do profissional.
Além disso, fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego podem resultar em multas administrativas, cujo valor varia conforme a gravidade da infração e o número de pessoas impactadas.
Mas os efeitos não param no jurídico. Do ponto de vista de gestão de talentos, não aplicar o reajuste é um gatilho direto para o aumento do turnover, além de afetar a produtividade e os resultados financeiros da empresa.
Como o RH pode se organizar para o reajuste salarial

Para que o reajuste salarial aconteça de forma eficiente, o RH precisa atuar de maneira integrada, conectando planejamento financeiro, atenção jurídica e uma comunicação clara com as pessoas. Veja como fazer isso:
- Planejamento financeiro e orçamentário
Inclua o reajuste no orçamento anual, mesmo sem o percentual definido, projete impactos com base nos índices aplicados em anos anteriores e trabalhe com faixas salariais por cargo, alinhadas à estratégia de crescimento da empresa.
- Monitoramento sindical e jurídico
É muito importante manter um mapeamento atualizado de todos os sindicatos que representam os colaboradores, assim como acompanhar de perto a data-base e o andamento das negociações da CCT.
Prepare-se também para o pagamento de valores retroativos, caso o acordo seja fechado após a data-base.
- Gestão operacional e uso de tecnologia
Utilize sistemas de RH e folha de pagamento para controlar históricos e automatizar atualizações para garantir que o reajuste seja aplicado corretamente sobre o salário bruto.
Documente todas as decisões e critérios para reduzir riscos trabalhistas.
Assim, mesmo que o caminho da negociação seja longo, o mais importante é que a empresa garanta segurança financeira, previsibilidade e confiança para os colaboradores ao longo da jornada.
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