Lei 14.457: o que muda para empresas e RH
A pauta de equidade de gênero e ambientes com regimes de trabalho mais seguros deixou de ser apenas um diferencial competitivo, ela passou a ser também uma responsabilidade legal. A Lei 14.457, sancionada em 2022, trouxe novas diretrizes para fortalecer o combate ao assédio e apoiar a parentalidade no ambiente corporativo, com foco especial na proteção das mulheres.
Para o RH, isso significa mais do que cumprir exigências: é uma oportunidade de estruturar políticas mais consistentes, fortalecer a cultura organizacional e promover um ambiente mais saudável e produtivo.
Por isso, vamos entender o que diz a Lei 14.457, quais são suas principais medidas, as vantagens para mulheres e empresas e, principalmente, como colocar tudo isso em prática. Confira os tópicos abordados:
- O que diz a Lei 14.457?
- Quais são as principais medidas da Lei 14.457?
- Quais são as vantagens da Lei 14.457 para as mulheres?
- Quais são as vantagens para a empresa?
- Como implementar a Lei 14.457 na prática?
Fique com a gente até o final e saiba se a sua empresa já está na conformidade. Boa leitura!
O que diz a Lei 14.457?

A Lei 14.457/2022 instituiu o Programa Emprega + Mulheres e Jovens, com o objetivo de incentivar a empregabilidade feminina, apoiar a parentalidade e prevenir situações de assédio no ambiente de trabalho.
Ela se apoia em dois pilares principais:
1. Combate ao assédio e à violência no trabalho
Empresas com CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) passaram a ter responsabilidades específicas relacionadas à prevenção e ao enfrentamento do assédio sexual e de outras formas de violência no ambiente corporativo.
A legislação determina que:
- A CIPA inclui a prevenção ao assédio e à violência como parte de suas atribuições;
- Sejam promovidas ações de capacitação e treinamentos periódicos para colaboradores;
- A empresa estabelece canais adequados para denúncias;
- Haja ampla divulgação das regras de conduta e penalidades aplicáveis.
Ou seja: não basta ter um código de ética guardado na intranet. É preciso tornar o tema visível, acessível e continuamente trabalhado.
2. Apoio à maternidade e à parentalidade
A lei também cria mecanismos para facilitar a permanência e o retorno das mulheres ao mercado de trabalho após a maternidade, seja ele um acordo individual ou com acordos coletivos, além de incentivar a divisão de responsabilidades familiares.
Entre as medidas previstas estão:
- Prioridade no teletrabalho para empregadas com filhos de até seis anos ou com deficiência;
- Flexibilização da jornada por meio de banco de horas, jornada parcial ou horário flexível;
- Possibilidade de suspensão do contrato de trabalho para qualificação profissional após o término da licença-maternidade;
- Reembolso-creche ou auxílio-creche (nos termos da legislação trabalhista);
- Incentivo à formalização de acordos individuais para organização da jornada.
A proposta é clara: criar condições para que mulheres não precisem escolher entre carreira e maternidade.
Quais são as principais medidas da Lei 14.457?
Para o RH, alguns pontos merecem atenção especial, como:
Inclusão do tema assédio nas atribuições da CIPA
A antiga CIPA passa a incorporar formalmente a prevenção ao assédio e à violência como parte de sua atuação. Isso exige revisão de regimentos internos, treinamentos e atualização de políticas corporativas.
Treinamentos obrigatórios
A empresa deve promover capacitação anual sobre:
- Prevenção ao assédio sexual;
- Prevenção a outras formas de violência no ambiente de trabalho;
- Orientação sobre canais de denúncia e medidas disciplinares.
Esses treinamentos precisam ser documentados, registrados e aplicados a todos os níveis da organização.
Canais de denúncia estruturados

A lei reforça a necessidade de mecanismos seguros e confidenciais para que colaboradores possam relatar situações de assédio ou violência.
É fundamental que o canal:
- Garanta o anonimato quando necessário;
- Tenha um fluxo claro e imparcial de apuração;
- Ofereça proteção contra retaliações;
- Esteja amplamente divulgado na empresa.
Medidas de apoio à parentalidade
A empresa deve avaliar e possibilitar alternativas como:
- Trabalho remoto;
- Jornada de trabalho flexível;
- Antecipação de férias;
- Banco de horas;
- Reembolso-creche ou auxílio-creche.
A adoção pode variar conforme o porte e a realidade da organização, mas o tema deve estar formalmente previsto em política interna também.
Quais são as vantagens da Lei 14.457 para as mulheres?
A legislação representa um avanço importante na proteção e no incentivo à permanência feminina no mercado de trabalho. Entre os principais benefícios estão:
Mais segurança no ambiente corporativo
A obrigatoriedade de treinamentos e canais estruturados cria um ambiente mais preparado para lidar com situações de assédio e violência, reduzindo o silêncio institucional.
Quando a empresa se posiciona de forma clara, a mensagem é direta: comportamentos inadequados não serão tolerados.
Apoio real à maternidade
A flexibilização da jornada e a prioridade para teletrabalho ajudam a reduzir a sobrecarga enfrentada por muitas mulheres no retorno da licença-maternidade.
Isso pode impactar diretamente:
- Redução da evasão feminina pós-licença;
- Maior estabilidade na carreira;
- Melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Incentivo à qualificação
A possibilidade de suspensão do contrato para capacitação profissional após a licença pode contribuir para o desenvolvimento contínuo, evitando estagnação na carreira.
Quais são as vantagens para a empresa?
À primeira vista, algumas organizações podem enxergar a lei apenas como obrigação. Mas, na prática, os ganhos estratégicos são relevantes para ambos os lados. Confira alguns deles:
Fortalecimento da cultura organizacional
Ambientes mais seguros e inclusivos tendem a apresentar:
- Melhor clima organizacional;
- Maior confiança entre lideranças e equipes;
- Redução de conflitos internos.
Retenção de talentos
A saída de mulheres após a maternidade representa perda de investimento, conhecimento e experiência. Ao criar condições mais favoráveis, a empresa reduz o turnover e mantém os colaboradores por mais tempo.
Reputação e employer branding
Empresas que demonstram compromisso com equidade e segurança ganham vantagem competitiva na atração de talentos.
Candidatos, especialmente das novas gerações, observam com atenção políticas de diversidade e inclusão.
Redução de riscos jurídicos
Políticas claras, treinamentos documentados e canais estruturados ajudam a mitigar riscos trabalhistas e reputacionais relacionados a denúncias de assédio. A prevenção é sempre menos custosa do que a remediação.
Como implementar a Lei 14.457 na prática?

Cumprir a lei exige planejamento. Não é apenas publicar um comunicado interno. A implementação precisa ser estruturada e contínua.
Aqui vão algumas dicas práticas para o RH:
1. Faça um diagnóstico inicial
Antes de qualquer mudança, avalie:
- Existe política formal de prevenção ao assédio?
- Há um canal de denúncia ativo e confiável?
- A CIPA já aborda o tema?
- Há política de apoio à parentalidade?
Mapear o cenário atual ajuda a definir prioridades para as primeiras tomadas de decisão.
2. Atualize políticas internas
Sempre revise periodicamente documentos como:
- Código de ética;
- Regulamento interno;
- Política de conduta;
- Política de diversidade e inclusão;
- Política de trabalho remoto e jornada flexível.
Eles precisam estar alinhados à legislação e acessíveis a todos.
3. Estruture treinamentos periódicos
Capacitação não deve ser pontual. O ideal é que:
- Seja obrigatória para todos os colaboradores;
- Inclua lideranças de forma aprofundada;
- Utilize exemplos práticos e estudos de caso;
- Tenha registro formal de participação.
Treinar liderança é essencial, pois gestores são os primeiros pontos de contato em situações sensíveis.
4. Fortaleça o canal de denúncia
Se a empresa ainda não possui um canal estruturado, considere:
- Plataforma externa especializada;
- Canal terceirizado independente;
- Processo interno com comitê de apuração.
O importante é garantir confidencialidade e imparcialidade.
5. Crie uma política clara de apoio à parentalidade
Formalize possibilidades como:
- Teletrabalho prioritário;
- Flexibilização de jornada;
- Banco de horas adaptado;
- Orientações sobre reembolso-creche ou auxílio-creche.
Empresas com transparência evitam interpretações equivocadas e garantem equidade.
6. Envolva a liderança
Sem o apoio da liderança, nenhuma política se sustenta. Por isso, promova conversas abertas sobre:
- Cultura de respeito;
- Responsabilidade compartilhada;
- Importância da equidade de gênero.
Lideranças, antes de tudo, precisam ser exemplo.
7. Monitore indicadores
Acompanhe métricas como:
- Taxa de turnover feminino;
- Retorno ao trabalho pós-licença-maternidade;
- Índice de denúncias e tempo de apuração;
- Resultados de pesquisas de clima.
Indicadores ajudam a entender se as ações estão funcionando ou não, e quando é necessária uma mudança de rota.
A Lei 14.457 representa um avanço importante na construção de ambientes corporativos mais seguros, inclusivos e sustentáveis. E para o RH, é uma chance estratégica de:
- Revisar processos;
- Fortalecer a cultura organizacional;
- Apoiar mulheres em diferentes fases da carreira;
- Reduzir riscos e melhorar reputação.
Implementar a lei exige esforço, mas os benefícios vão além do cumprimento formal. Quando a empresa cria condições reais de segurança e apoio, ela constrói um ambiente onde as pessoas podem desenvolver seu potencial com mais tranquilidade e confiança.
Se o seu RH ainda não iniciou esse movimento, este é o momento ideal para começar. Pequenas ações estruturadas já fazem diferença e mostram que a empresa está comprometida com o presente e o futuro do trabalho.