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Psicodrama: entenda como funciona essa abordagem terapêutica

Foto do autor Escrito por: Giovana Zou 22 de janeiro de 2026

Falar sobre emoções, conflitos e relações nem sempre é simples. Muitas vezes, as palavras não dão conta de tudo o que sentimos. É nesse espaço, entre o que é vivido e o que é difícil de verbalizar, que o psicodrama encontra seu lugar. 

Essa abordagem terapêutica sugere algo diferente: colocar as experiências em ação, usando o corpo, o movimento e a interação para promover reflexão, consciência e bem-estar.

Para isso, vamos explorar mais sobre o psicodrama, para que ele serve, como funciona, para quem a terapia é indicada, qual profissional procurar e quais são as diferenças entre psicodrama e sociodrama. Além disso, também vamos responder dúvidas comuns de quem está conhecendo essa abordagem pela primeira vez.

Quer se aprofundar mais sobre essa abordagem? Então, fique com a gente e boa leitura!

O que é psicodrama?

Pessoas praticando psicodrama
Saiba mais sobre essa abordagem terapêutica e seus benefícios

O psicodrama é uma abordagem terapêutica criada pelo psiquiatra romeno Jacob Levy Moreno, no início do século XX. Diferente das terapias tradicionais baseadas apenas na conversa, o psicodrama utiliza a ação dramática como principal ferramenta de trabalho.

Na prática, isso quer dizer que situações da vida real, como conflitos, relações, emoções, decisões e lembranças, são representadas em cena, como pequenas dramatizações. A pessoa não apenas fala sobre o que vive, mas revive, experimenta, observa e ressignifica essas experiências por meio da ação.

O foco do psicodrama está na criatividade e na possibilidade de olhar para si a partir de novos ângulos, por novas possibilidades. Ao colocar seus sentimentos e relações em movimento no aqui e agora, cria-se um espaço seguro para ampliar a consciência e explorar novas formas de agir no mundo.

Afinal, para que serve o psicodrama?

O método psicodramático serve como um instrumento, principalmente, para o autoconhecimento, desenvolvimento emocional e melhoria das relações. Segundo Moreno, a abordagem pode ajudar pessoas a entenderem melhor seus sentimentos, padrões de comportamento, formas de se relacionar consigo e com os outros.

Entre seus principais objetivos, estão:

  • Ampliar a consciência sobre emoções e conflitos internos;
  • Favorecer a expressão de sentimentos difíceis de verbalizar;
  • Estimular novas formas de lidar com situações desafiadoras;
  • Trabalhar relações interpessoais de maneira mais saudável;
  • Desenvolver empatia e escuta emocional;
  • Fortalecer a autonomia emocional e a autorresponsabilidade.

Mais do que “encenar”, o método cria oportunidades para experimentar possibilidades: dizer o que não foi dito, ocupar outros papéis, enxergar o ponto de vista do outro e revisar escolhas passadas sem julgamento.

Quais são os benefícios percebidos por quem faz psicodrama?

Por ser uma abordagem vivencial, ela possibilita que sentimentos e comportamentos sejam observados de maneira mais concreta, favorecendo reflexões profundas sobre o próprio funcionamento emocional.

Entre os benefícios mais citados por quem vivencia essa abordagem, estão:

  • Maior consciência sobre emoções, pensamentos e padrões de comportamento;
  • Possibilidade de enxergar situações do cotidiano sob novas perspectivas;
  • Fortalecimento da expressão emocional em um ambiente seguro e estruturado;
  • Desenvolvimento de uma comunicação mais clara, espontânea e autêntica;
  • Estímulo à empatia e à escuta ativa, especialmente em contextos grupais;
  • Sensação de pertencimento ao compartilhar vivências com outras pessoas;
  • Reflexão sobre papéis pessoais, sociais e profissionais;
  • Ampliação do repertório emocional e relacional.

Além disso, a terapia ajuda a desenvolver a criatividade e a espontaneidade, já que convida a pessoa a experimentar novos papéis e respostas para situações reais ou simbólicas.

Vale lembrar que esses benefícios podem variar de acordo com o contexto, o trabalho do profissional e o momento de vida de cada pessoa. Ainda assim, o psicodrama costuma ser reconhecido como uma abordagem que estimula a consciência, a escuta e o cuidado emocional de maneira ativa e significativa.

Psicodrama individual ou em grupo: qual a diferença?

Homem praticando psicodrama
Ambos formatos são válidos. Descubra qual é o ideal

Uma dúvida comum é se o psicodrama só acontece em grupo. A resposta é não.

Conheça as duas possibilidades da abordagem:

Psicoterapia individual

São sessões individuais com o terapeuta conduzindo as cenas e, às vezes, utilizando objetos, cadeiras ou elementos simbólicos para representar pessoas ou situações.

É indicado para quem prefere um espaço mais reservado ou quer trabalhar questões muito específicas.

Psicoterapia em grupo

No psicodrama em grupo, os participantes podem assumir papéis uns dos outros, o que amplia a experiência de empatia e troca. O grupo se torna um espaço potente de aprendizado relacional.

Ambas as opções são válidas e a escolha depende das necessidades e do momento de cada pessoa. Ou seja, a melhor opção é a que você se sentir mais confortável fazendo.

Como funciona o psicodrama?

O método tem uma estrutura que pode mudar conforme o contexto, podendo ser individual ou em grupo. Mas, geralmente, envolve três etapas principais: aquecimento, ação e compartilhamento.

Aquecimento

O aquecimento é o momento inicial da sessão. Ele ajuda a pessoa ou o grupo a se preparar para o trabalho terapêutico, facilitando o contato com emoções, temas e experiências que podem ser explorados.

Essa etapa pode incluir exercícios corporais leves, dinâmicas de grupo, perguntas reflexivas ou atividades que estimulem a espontaneidade.

Ação

Aqui acontece o coração do psicodrama. Também conhecido como dramatização, a pessoa ou o grupo representa situações reais ou simbólicas da sua vida. Podendo ser cenas do passado, do presente ou até mesmo projeções do futuro.

Durante a dramatização, são utilizados recursos como:

  • Troca de papéis (colocar-se no lugar do outro);
  • Espelhos (observar a própria cena de fora);
  • Solilóquio (expressar pensamentos internos em voz alta).

O objetivo não é atuar bem, mas vivenciar. A ação permite acessar emoções profundas e enxergar padrões que, muitas vezes, passam despercebidos no discurso racional.

Compartilhamento

Ao final, acontece o compartilhamento. Nesse momento, a pessoa ou o grupo fala sobre o que sentiu, percebeu e aprendeu com a experiência, sem julgamentos ou interpretações impositivas.

Essa etapa ajuda a integrar o que foi vivido em cena com a vida cotidiana, trazendo significado e reflexão.

Para quem essa abordagem é indicada?

O psicodrama, propriamente dito, é indicado para pessoas que querem compreender melhor suas emoções, relações e escolhas, e que desejam experimentar uma abordagem mais ativa e vivencial.

O método pode ser interessante para quem:

  • Tem dificuldade de expressar sentimentos apenas falando;
  • Quer trabalhar relações familiares, afetivas ou profissionais;
  • Busca desenvolver autoconhecimento e inteligência emocional;
  • Quer explorar conflitos internos de forma criativa;
  • Sente que “entende racionalmente”, mas quer sentir e elaborar emocionalmente.

Também pode ser aplicado em contextos educacionais, organizacionais e comunitários, sempre com foco no desenvolvimento humano e relacional.

Psicodrama é indicado para ambientes corporativos?

Mulheres praticando psicodrama
A psicoterapia também é uma abordagem que se pode desenvolver no ambiente corporativo

Sim, o psicodrama pode ser usado nas empresas, especialmente quando o objetivo é criar espaços mais saudáveis de diálogo, escuta e desenvolvimento humano. 

Essa abordagem não se aplica apenas ao contexto clínico individual, pois também é usada em grupos, o que a torna interessante para organizações que desejam trabalhar aspectos relacionais, emocionais e comportamentais de forma mais prática.

Ele pode contribuir para:

  • Melhorar a comunicação entre equipes;
  • Trabalhar conflitos de forma segura;
  • Desenvolver empatia e escuta;
  • Refletir sobre papéis profissionais;
  • Estimular criatividade e colaboração.

Sempre respeitando o contexto, os limites e o objetivo da intervenção. Além disso, no contexto corporativo, ele pode contribuir para reflexões sobre comunicação, papéis profissionais, liderança, cooperação e gestão de conflitos

Com encenações simbólicas e dinâmicas feitas por profissionais qualificados, os colaboradores podem ver situações do dia a dia de novas maneiras. Isso ajuda a reconhecer padrões de comportamento e a entender melhor a si e aos outros.

Outro ponto relevante é que a terapia favorece a expressão emocional em ambientes estruturados e seguros. Em vez de apenas falar sobre desafios, as pessoas podem viver cenas que mostram conflitos e dilemas do trabalho, sempre respeitando os limites de cada um e do grupo. Isso pode ajudar equipes a refletirem sobre como se relacionam, tomam decisões e lidam com pressões cotidianas.

Vale destacar que o psicodrama no ambiente corporativo não tem caráter de avaliação psicológica nem substitui acompanhamento terapêutico individual. Seu papel está mais ligado ao desenvolvimento humano, à conscientização emocional e ao fortalecimento das relações de trabalho, quando aplicado de forma ética e responsável.

Qual profissional procurar para quem quer fazer psicodrama?

Para fazer psicodrama, é fundamental procurar um profissional qualificado, com formação específica na abordagem.

Os principais profissionais que atuam com psicodrama são:

O ideal é verificar também se o profissional:

  • Possui formação reconhecida em psicodrama;
  • Atua de acordo com o código de ética da sua profissão;
  • Oferece um espaço seguro, acolhedor e respeitoso.

O vínculo terapêutico é muito importante no processo, então sentir-se à vontade com o profissional faz a diferença para que seja um processo mais tranquilo.

Qual é a diferença entre psicoterapia e socioterapia?

Embora o psicodrama e o sociodrama tenham a mesma base teórica, eles têm focos diferentes. Ambos usam recursos como dramatização e vivência de papéis, mas seus objetivos são distintos. Confira as características de cada uma delas:

Psicoterapia

O psicodrama é voltado para a experiência individual. Mesmo quando realizado em grupo, o foco está direcionado à história pessoal de quem participa, explorando emoções, conflitos internos, relações significativas e situações marcantes da vida. As cenas encenadas representam vivências reais ou simbólicas que fazem parte do universo emocional da pessoa.

Essa abordagem contribui para ampliar o autoconhecimento, favorecer novas percepções sobre comportamentos e fortalecer a compreensão dos próprios papéis nas relações. O foco está no processo emocional individual e na forma como cada pessoa se relaciona consigo e com os outros.

Socioterapia

O sociodrama tem como foco o coletivo. Ele trabalha temas que emergem de grupos, comunidades ou organizações, abordando questões sociais, institucionais ou relacionais que afetam várias pessoas ao mesmo tempo. 

As dramatizações representam situações compartilhadas, como desafios de convivência, comunicação, liderança ou cultura organizacional.

Essa abordagem é bastante utilizada em contextos educacionais, sociais e corporativos, pois favorece o diálogo, a escuta e a reflexão conjunta. O objetivo do sociodrama é ampliar a consciência grupal e estimular novas formas de interação dentro do coletivo.

A psicoterapia substitui outras terapias?

Indivíduos fazendo psicoterapia
A psicoterapia pode atuar de forma complementar, dependendo das suas necessidades

O psicodrama não substitui outras abordagens terapêuticas, mas pode atuar de forma complementar, dependendo das necessidades, dos objetivos e do momento de vida de cada pessoa. Bem como acontece com diferentes linhas da psicologia, não existe uma única abordagem que atenda a todas as demandas de forma igual.

Essa metodologia se destaca por seu caráter vivencial e ativo, o que pode ser muito interessante para quem se identifica com processos que envolvem mais a experiência do que apenas a fala. Ainda assim, o psicodrama não exclui nem invalida outras formas de cuidado emocional, combinado?

Em muitos casos, ele pode coexistir com outras abordagens terapêuticas, contribuindo para o bem-estar como um todo. Entre os pontos mais associados estão:

  • Possibilidade de aprofundar temas trabalhados em outras terapias;
  • Ampliação da percepção emocional por meio da vivência de cenas e papéis;
  • Integração entre reflexão racional e experiência emocional;
  • Apoio ao desenvolvimento do autoconhecimento em diferentes níveis.

É importante considerar que a escolha por uma abordagem terapêutica deve levar em conta fatores como afinidade pessoal, tipo de demanda, indicação profissional e disponibilidade da pessoa. O acompanhamento por um profissional qualificado é essencial para avaliar qual caminho faz mais sentido em cada situação.

Por isso, o psicodrama pode ser entendido como parte de um cuidado mais amplo, que respeita a singularidade de cada pessoa e valoriza diferentes formas de olhar para a saúde e o bem-estar emocional.

O psicodrama nos convida a sair apenas do campo da fala e entrar no campo da experiência. Ele cria espaço para sentir, experimentar, errar, tentar de novo e olhar para si com mais gentileza.

Ao colocar a vida em cena, ganhamos novas formas de compreendê-la. E, muitas vezes, é nesse movimento que surgem novos olhares e pontos de vista, alívios e possibilidades de mudança.

Cuidar do bem-estar também passa por encontrar linguagens que façam sentido para nós. E, para algumas pessoas, essa linguagem pode ser a ação, o corpo e a relação, exatamente onde o psicodrama atua.

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